Eu sempre achei que, quando eu tivesse a chance, falaria tudo aquilo que ficou guardado, me libertaria do aperto que sinto no peito. Mas o telefone tocou, eu atendi e você me chamou pelo nome. Qual outra oportunidade poderia ser melhor do que essa? E eu queria falar, queria cuspir todos os xingamentos que escolhi pra você, tudo aquilo que passei meses imaginando. Mas minha voz havia sumido.
Eu não conseguia falar, mas as palavras continuavam querendo sair. Lágrimas começaram a escorrer descontroladamente pelo meu rosto. E foi então que eu percebi: eu não estava chorando de raiva, muito menos de tristeza. Eu chorava palavras. As palavras que ficaram presas quando o nó na minha garganta as impediu de passar; elas acharam outro modo de sair. E, quem diria, esse modo foi muito mais efetivo. Afinal, você nunca escuta o que te dizem, mas me ouvir chorar pelo menos te fez pensar nas consequências dos teus atos.
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